Por que encher o saco do SAC

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Nós, consumidores chatos, cricris e ingratos, que não aceitamos de bom grado as maiores conveniências que a indústria de alimentos nos oferece, com todo o seu avanço tecnológico, e que insistimos em querer saber mais sobre nossa comida, porque somos o que sabemos sobre o que comemos, temos, malemá, as seguintes alternativas para atender a esse nosso capricho:

  1. Ler atenta e desconfiadamente os rótulos
  2. Fazer perguntas no comércio
  3. Consultar o SAC da indústria

A primeira alternativa da lista é a que mais abordo em meu canal no YouTube. É uma saída relativamente democrática, do tipo self-service, que qualquer pessoa razoavelmente alfabetizada pode adotar, desde que devidamente orientada (preferencialmente por gente do meu time ideológico). E é particularmente interessante porque independe da aprovação alheia (salvo alguns cônjuges míopes que podam seus parceiros). Você pode examinar os rótulos publicamente numa boa, em silêncio, e tirar suas conclusões com total liberdade e conforto, sem que ninguém julgue sua inteligência. Pelo que tenho observado, a maior parte do público gosta da ideia de ser informada adequadamente pelos rótulos. E concorda que a Anvisa deve ser pressionada para tornar as regras do jogo mais favoráveis para nós, como podemos observar nos comentários deste vídeo e deste papo ao vivo que publiquei em dezembro.

Já as perguntas no comércio parecem um pouco menos confortáveis para parte do público. As reações que obtive ao sugerir num vídeo (abaixo) como poderíamos tentar conseguir informações em conversas com balconistas indicam que parte dos brasileiros não gosta da ideia de questionar trabalhadores sobre a comida que estão servindo, talvez por sentirem-se constrangidos na situação de submeter pessoas “simples” a perguntas que claramente não estão preparadas para responder.

Então o que será que acontece em relação às perguntas que podemos fazer aos atendentes dos SACs? Na conversa por telefone, não é preciso olhar na cara do atendente nem dá pra perceber se ele está confortável ou não com a pergunta. Será que isso é suficiente para o consumidor brasileiro tomar a iniciativa de fazer todas as perguntas que quiser ao SAC? Acompanhe no vídeo abaixo uma versão editada da conversa que eu tive com o SAC de uma marca de sopa de pozinho. O vídeo tem pouco mais de 06 minutos, mas o telefonema durou 21.

Embora eu até hoje tenha falado muito mais de rótulos do que de perguntas no comércio ou conversas com o SAC, considero estas outras duas formas de obter informação sobre nossa comida igualmente importantes. E você? Se você se interessa por esses temas também, manifeste-se no formulário abaixo.

Escrito por Francine Lima

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As opiniões expressas pelos autores e leitores são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião do Canal do Otário.

6 comentários

  1. Poxa otário, normalmente eu concordo com os conteúdos dos vídeos, mas esse aí foi uma bola fora.

    Entrar em contato com SAC para obter informações, tudo bem. Agora o que ela está fazendo é ser babaca com a atendente.
    O mínimo que se espera quando você faz uma pergunta a uma pessoa é aguardar ela terminar de falar para fazer uma nova pergunta. Se você, eu, ou qualquer pessoa, ficar sendo interrompido enquanto fala, numa tentativa de gerar um bate boca, é ÓBVIO que vai ficar chateado com a situação. Um pouco de empatia é bacana…

    Sobre a falta de informações no atendimento, não é culpa da atendente. Ficar bombardeando ela na tentativa de constrange-la não vai melhorar isso.
    A mesma atendente deve estar trabalhando para várias empresas diferentes, não é nutricionista, não teve um treinamento adequado (as empresas de telemarketing/SAC só visam lucro, independente do serviço ficar ruim) e mesmo assim está se prontificando a levantar da sua posição de atendimento e ir atrás das respostas.
    E se você acha que fazendo isso as pessoas superiores a ela vão mudar algo, está redondamente enganado.
    Os supervisores, coordenadores e gerentes de SAC estão cientes de todas as dificuldades, e adivinha: não ligam a mínima.
    A única coisa que ela esta mulher está fazendo é perder o tempo dela, já que a atendente tem uma carga horária para cumprir de qualquer forma.
    Essa mesma atendente aí provavelmente é uma pessoa legal, que estuda, cuida dos filhos, tem um pai e mãe, amigos e se você conhecer fora do ambiente de trabalho, você provavelmente não encheria o saco dessa forma.

    • Concordo contigo Bruno, acho que ela forçou a barra.

      Mas imagine se todas as pessoas ligassem e fizesse este tipo de pergunta. O cara que tem a informação, não ia dar conta com tantos atendentes perguntando pra ele essas coisas. Daí, ou iam capacitar todos os atendentes (o que não seria viável) ou eliminar o problema na raiz alterando o rótulo do produto.

      • Ela editou o vídeo, por isso que ficou com essa impressão de perguntas corridas.
        Do mais, ela está certa mesmo, o SAC foi feito para ter essa finalidade e não ficar de enfeite. Passividade não vai trazer mudanças e acredito que querer saber o minimo sobre os alimentos que você e sua família consome não seja ser “b*****”

  2. Dirceu Zanchi Júnior

    Tbm achei palhaçada mais da metade das perguntas feitas a atendente…

  3. Eu achei muito boa a iniciativa dela em fazer isso. Tenho certeza que o foco não foi atingir a atendente, mesmo que por lei esta representa a voz oficial da empresa, mas sim, mostrar como as empresas omitem as informações importantes para nossa segurança. No CDC é dito que as empresas devem demonstrar de forma clara as informações dos produtos, a fim de que todos tenham um melhor discernimento do que está usando ou ingerindo. No exemplo a seguir mostra que a empresa não passou algumas informações alegando segredo industrial. O questionamento central foi apontar que o Direito Empresarial não pode ultrapassar o Direito do Consumidor que está respaldado pelo poderoso Princípio da Dignidade da Pessoa Humana da CF/88, art 1º, III. No dia que o lucro alheio for mais importante que a saúde do povo, então chegaremos ao fundo do poço de vez.

  4. Sou totalmente a favor da postura dela que tanto criticaram. Tem que ser direto sim! Tem que exigir explicações sim! O fato da atendente não saber explicar o que foi questionado, apenas mostra o despreparo e descaso que as empresas possuem em relação a explicar o que produz para seu consumidor.

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