Pela separação do casamento e o estado

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Esse último final de semana, vimos um certo frisson nas redes sociais devido a legalização ou aprovação do casamento gay nos EUA, acho que todo mundo aqui no Brasil teve oportunidade de ver algo. Lembrando que em terras tupiniquins isso já foi debatido uns 2 anos atrás e devidamente aprovado)

Milhares de pessoas, para demonstrar apoio a tal medida na terra do tio Sam, colocaram suas fotos de perfis coloridas, e isso causou a indignação de muita gente. Um festival de pancadaria virtual.

Uns dizendo que a fome no mundo seria uma causa justa, mas não o casamento gay nos EUA, outros dizendo que quem não pintou a foto é porque é homofóbico, reacionário, conservador... ainda mais outras divulgando perfis de políticos que não pintaram a foto dando a entender a posição contrária desses em relação ao casamento gay, pessoas dizendo que quem pintou a foto é “paga pau dos EUA” já que quando houve a aprovação no STF aqui não houve tamanha comoção, um festival de impropérios sem fim.

Meu ponto aqui não é se eu sou contra ou a favor do casamento gay, meu ponto tem a ver com a liberdade, com o Estado e com o controle que ele exerce sobre nós.

Quero deixar claro que não sou contra nem a favor de casamento gay, ou casamento hétero, poligamia, poliandria, monogamia ou o que quer que seja, sou a favor da liberdade das pessoas, sou defensor do ser humano e de sua liberdade irrestrita. Uma palavra mais bonita para descrever minha posição seria algo como “humanista secular”, mas, na real, não curto muito rótulos, por isso evito tais eufemismos.

O que me chamou a atenção nessa discussão toda é que absolutamente ninguém questiona mais o porquê do estado reger nossa vida privada, por que raios temos de esperar que o estado regule ou não a união de duas ou mais pessoas e por que as pessoas dão tanta importância para o que o Estado impõe em nossas vidas?

O casamento, ou união estável, ou civil, ou matrimonio, ou como queiram chamar, resume-se ao ato de duas ou mais pessoas (adultas) resolverem compartilhar uma vida juntos, unindo interesses em comum (seja lá o que for) e compartilhando suas vidas. Os românticos chamam isso de amor, os práticos de união, os religiosos de casamento. Mas o nome tem pouco importância aqui.

Quando duas ou mais pessoas decidem viver juntas e compartilhar suas vidas umas com as outras, por que diabos necessitamos da aprovação e validação de um terceiro ente, este caso, o estado, para nos dizer como devemos fazer e sob quais aspectos isso deve ser realizado, quais são as leis que devemos seguir, quais são os nossos direitos e deveres, quem pode participar, quais gêneros devem participar... ? Enfim, por que não somos capazes de decidir por nós mesmos tal desejo de compartilhar uma vida com outro(s)?

A questão é, por que eu tenho de pedir permissão ao Estado para dividir minha vida com outra(s) pessoa(s) e por que a forma como vou fazer isso deve ser estabelecida previamente, aprovada, regulamentada, validada, votada e regida por uma bando de pessoas que não estão nem ai para mim e tampouco eu com elas? Será que sou incapaz de ter decisão própria e preciso desse Estado salvador para me dizer o que devo fazer?

Não sei se é o caso no Brasil, mas nos EUA a poligamia (suponho que a poliandria também seja proibida) já foi punida com cadeia! O que é, por si só, um absurdo. Qual seria o argumento para tal proibição? Adultos livres que decidiram viver juntos e não fazem mal a ninguém devem ir para a cadeia por compartilhar uma vida juntos? Não fizeram mal a ninguém, por que prender o cidadão? Que sentido há nisso?

Todos os aspectos da vida privada das pessoas deveriam ser tratados única e exclusivamente pelos envolvidos, e não ficarmos a mercê da vontade de um grupo de pessoas, sejam lá quem forem: burocratas, políticos, religiosos ou palpiteiros de plantão. Gostaria muito de ver uma sociedade onde a discussão não fosse em torno de um tipo especifico de união entre duas pessoas, mas sim uma discussão realmente ampla em torno do papel do Estado em não se intrometer tanto na vida das pessoas.

Escrito por Zé Mané

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Fontes e links úteis

Fontes e links úteis

PL 5120/2013 para reconhecer o casamento civil e a união estável entre pessoas do mesmo sexo.
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=567021

Suprema Corte dos EUA aprova casamento gay em todo o país.
http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,suprema-corte-dos-eua-aprova-casamento-gay-em-todo-o-pais,1714156

Homem é condenado por poligamia nos EUA.
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2001/010519_poligamo.shtml

AVISO AOS 'J'ÊNIOS DE PLANTÃO
As opiniões expressas pelos autores e leitores são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião do Canal do Otário.

Sobre Zé Mané

Olá, sou um cara normal, que tem um emprego normal, uma família normal, acorda cedo para ralar todo dia, paga um montão de contas e impostos e está, assim como muitos, pra lá de insatisfeito com os rumos do nosso (des)governo. Espero aqui poder compartilhar com vocês minhas idéias e pensamentos sobre economia, politica e interesses gerais desse país que ainda não é uma nação

7 comentários

  1. Utópico e até lúdico. Concordo com você que tanto faz se é hétero, homo, filo, dentre outros. A liberdade s***** e de relacionamento é algo individual. Mas a partir do momento em que existe um custo para o Estado, como pensões, dentre outros benefícios, tem que haver uma regulamentação. Por mais que isso no Brasil não signifique muita coisa, já que existem inúmeros exemplos de fraudes, o Estado terá que arcar com isso. Os casamentos de pessoas do mesmo s*** foram liberados no Brasil e os divórcios começam a aparecer, gerando fatos e mais fatos jurídicos, o que seria feito em caso de poligamia? Se não normatizar serão guerras processuais imensas até que a justiça consiga chegar a um denominador comum, por isso sou a favor que tenha que haver uma regulamentação.

  2. Muito bem, Zé Mané. Abordou o tema no contexto correto: o político, sem injustiça em seus pontos de vista. Mesmo não concordando 100% com vc (em relação à poligamia, eu não concordo), aplaudo a vc pela sua atitude correta e justa.

    E concordo que o Estado não deveria se meter em autorizar os matrimônios de seu ninguém. Realmente não faz muito sentido.

  3. Esse conflito está acontecendo simplesmente porque está declarada uma guerra ideológica, principalmente contra os valores Judaico-Cristãos. Casamento como é na verdade (Homeme e mulher pra gerar uma prole) existe desde tempos a perder de vista. Daí apareceram esses caras (claro que eles não são os cabeças, mas uma amostra dos incitadores): https://www.youtube.com/watch?v=e93Ow5_9oCI&feature=youtu.be

    • cara, casamento homoafetivo existe desde milhares de anos atrás, em diversas civilizações(romanos, gregos, etc.) isso só passou a ser visto com maus olhos quando um bando de semi-analfabetos machistas preconceituosos do deserto iniciou a biblia. e você é hipócrita: condena casamento homossexual, mas come porco, usa roupas feitas com mais de um tipo de tecido, cobre a cabeça, diz que a Terra gira ao redor do sol, diz que morcegos não são aves, que gafanhotos não são répteis, não condena que mulheres andem sem usar véu e diz que a Terra é esférica. cristãos: só seguem o que querem da bíblia e só contam e leem as histórias bonitas, e ignoram as atrocidades, erros científicos grotescos e as regras que não concordam.

  4. Concordaria totalmente com vc se a realidade na quarta vivemos fosse outra. Ainda mais se a legislação e o sistema.que nos rege a existência não fossem do jeito que são.
    Mas pense só, como ficariam as posses de um cônjuge falecido,.por exemplo? É complicado uma visão assim.
    E enquanto uma participação microscópica do estado nesse.quesito fosse o ideal, para a nossa realidade é simplesmente incentivem.

  5. Enquanto estão vivos tá de boa. Espera um morrer que vc vê pq o estado tem que tutelar.

  6. Bem lembrado, Fernando e Jivago. Não tinha pensado nisso.