A Pátria Educadora de um pais de mentiras

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Na Pátria Educadora de Dilma, onde a educação deveria ser prioridade, tem função de pedreiro que remunera melhor que a de professor.

Não estou desmerecendo a profissão de pedreiro, mesmo porque trata-se de uma profissão tão digna quanto qualquer outra e extremamente essencial para o crescimento do país.

Porém, para que uma pessoa se torne um profissional desses, não é necessário mais que o conhecimento adquirido durante algum tempo de convívio com outros pedreiros já experientes em algumas obras. Não é necessário também saber fazer uma redação ou entender a Fórmula de Bhaskara (alguém poderia me dizer quando é que usamos essa fórmula em nossas vidas?).

Por outro lado, para que alguém se torne um professor, cinco, oito ou dez anos de estudo não são suficientes. Um professor precisa estudar ao menos quinze anos para que possa começar a lecionar.

Numa faculdade particular, um curso de Pedagogia custa em torno de R$ 52 mil e tem a duração de quatro anos.

Mas, no país da Pátria Educadora, mais precisamente no município de Itaitinga, no Ceará, um concurso público que será realizado em agosto deste ano está oferecendo vagas para diversos profissionais, inclusive para professores e pedreiros.

Na página 4 do Anexo I do Edital é possível ver que há trinta vagas para professor de Educação Básica e que possua Licenciatura Plena em Pedagogia e salário base de R$ 974,80.

Logo acima, seis vagas para pedreiro que saiba ler, escrever e interpretar com o salário base de R$ 1.019,14.

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Apenas para pagar o que se investiu numa faculdade particular, um professor teria que trabalhar mais de quatro anos e comprometer 100% deste mísero salário.

Não se faz uma pátria educadora apenas com reformas em colégios e aquisição de novos mobiliários. Uma pátria educadora se faz, sobretudo, com profissionais valorizados e respeitados.

Enquanto a lógica da inversão de valores e a nossa incrível capacidade de eleger políticos incompetentes imperar em nosso país, a nossa educação continuará sendo cuidadosamente limitada pela ganância dos governos que preferem um povo pouco instruído e cordeiramente manipulável.

Aos professores (heróis) que exercem suas profissões, o meu muito obrigado.

Escrito por Lúcio Big

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Sobre Lúcio Big

Lúcio Big, jornalista (MTE nº 0010764/DF), ativista no combate à corrupção e músico nas horas vagas.

3 comentários

  1. Lúcio Big, diante de tantos e tantos casos de corrupção, peculato, crime ao erário, enriquecimento ilícito, superfaturamento em obras públicas e licitações fraudulentas dentre diversos crimes contra a administração pública, como se posiciona em relação a uma possível Intervenção Militar Constitucional com base no art. 142 CF/88? Será que esses marginais que estão aí no poder estão ligando para os “míseros” valores de cartões corporativos entre outros, enquanto roubam BILHÕES? Em contrapartida o povo passando fome, perdendo seus empregos, empresários quebrando, pagando impostos absurdos? Estamos no rumo de uma Venezuela ou Grécia, e em breve um possível cenário de hiper-inflação como houve em 1990.

    Abraços.

  2. E mais, carreiras científicas não são valorizadas como as carreiras de humanas. E os que se formam em humanas (mais precisamente Direito) não mudam nada para melhor nas nossas leis e organização sócio-político. Enquanto isso os poucos profissionais da área científica vão para fora tentar a vida e acabam ficando por lá.

  3. So faltou dizer que nem o salario de pedreiro corresponde ao q exige a profissao,gostaria de ver qualquer um daqueles gravatinhas de Brasilia trabalhar so um dia nessa profissao ingrata.