O trabalho da OPS em 2016. E que venha 2017!

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Um "breve" resumo das atividades da OPS no ano de 2016. Em todos os casos abaixo, o dinheiro indevidamente utilizado por parlamentares faz parte da maldita verba indenizatória. E que venha 2017!

No dia 14 de fevereiro eu postei o vídeo “Ele come e você paga”. Nela eu explico os questionáveis gastos com refeições, pagos com o dinheiro da verba indenizatória, do deputado Rogério Peninha.

Ele torrou mais de R$ 160 mil com refeições a terceiros, ato irregular.

Este caso foi o primeiro caso a ser publicado e que foi levantado durante a Operação Prato Vazio idealizada pela OPS e que contou com a participação de pessoas de todas as partes do país na fiscalização de gastos com refeições de deputados, que muitas vezes cometeram o "deslize" de pagar comes e bebes a terceiros, o que é proibido pela Câmara.

Duas semanas depois postei o vídeo “Deputado Peninha – devolva o dinheiro!”. Este foi o primeiro “E-mailzaço” do ano.

peninha3.pngComo ele fez o que melhor sabe fazer, que é ignorar a sociedade, no dia 23 de março eu o denunciei no Ministério Público por usar indevidamente o dinheiro público.

A denúncia foi encaminhada pelo MPF à Procuradoria-Geral da República e no dia 25/05 houve a última movimentação por nome “autuação”(?).

Em decorrência dos inúmeros casos similares a este e que foram levantados graças ao trabalho voluntário de várias pessoas do país inteiro engajados na Operação Prato Vazio, o deputado Rossoni devolveu R$ 756,61 após tomar ciência de que seu nome listava na relação dos Comilões da Câmara.

No dia 28 de março postei o vídeo “Um carro alugado para quatro ao mesmo tempo”. Nele eu conto a história de uma empresa que, mesmo tendo sido baixada na Secretaria de Fazenda de Salvador, sua cidade, alugou o mesmo carro para vários deputados ao mesmo tempo.

Questionada por mim, a Câmara disse que iria apurar o caso e que, se a irregularidade fosse confirmada, os deputados seriam gentilmente convidados a devolverem o valor total de aproximadamente R$ 180 mil. Ainda não obtive respostas, mas já abri nova demanda lá.

papNo dia 25 de abril, a OPS descobriu que o ex-deputado Eudes Xavier perdeu o posto de Rei da Papelaria.

O deputado, pernambucano arretado, Sílvio Costa gastou uma pequena fortuna do dinheiro público com material de papelaria, material este que levaria mais de um mandato inteiro para ser consumido, mesmo assim se fosse consumido em grande quantidade diariamente.

Foi feito então o segundo “E-mailzaço”. Aqueles que participaram receberam do parlamentar uma resposta genérica e que não esclareceu absolutamente nada.

E, apesar das ameaças feitas pelo deputado dizendo que iria abrir um processo contra mim em cada um dos mais de 5.570 municípios brasileiros, eu o denunciei no Ministério Público no dia 5 de maio.

Em 14 de junho postei o vídeo intitulado “Vamos pegar safados?”. Trata-se de um tutorial que ensina como utilizar o site da OPS para fiscalizar os gastos de nossos queridos parlamentares federais no uso da maldita verba indenizatória.

madaEm 25 de junho vai ao ar o vídeo “Devolva a grana, Magda”. Nele eu relato a sem-vergonhice praticada pela deputada federal Magda Moffato ao utilizar dinheiro de sua verba indenizatória para bancar o diretório de seu partido, o PR, na cidade de Goiânia, que, por coincidência ou não é presidido pelo marido.

Mais um “E-mailzaço” é feito e centenas de pessoas enviaram à deputada uma mensagem pedindo que ela devolvesse mais de R$ 450 mil aos cofres públicos.

É claro que, como é típico desse tipo de gente, ela sequer se deu ao trabalho de responder as mensagens. O resultado disso é que na semana seguinte, eu a denunciei no Ministério Público Federal.

No da 19 de julho postei um vídeo com o nome “Veja quem já foi denunciado pela OPS”. Nele é possível saber quem são os parlamentares denunciados no Ministério Público e no TCU até aquele momento.

No dia 3 de agosto mais um deputado se tornou alvo do nosso E-mailzaço. A bola da vez foi Francisco Chapadinha que alugou superfaturadamente, a casa do genro. Além de não prezar pela eficiência no uso do dinheiro público, algo exigido em lei, o deputado ainda cometeu outro deslize legal, o de beneficiar parente seu de até terceiro grau.

chapaCom o silêncio fúnebre do deputado diante de centenas de e-mails enviados pelos colaboradores da OPS, no dia 4 de setembro o parlamentar foi denunciado no MPF.

No dia 18 de agosto, após um levantamento feito pela OPS e que identificou inúmeras empresas baixadas na Receita e que forneceram bens e serviços a deputados, eu entrei em contato com a Câmara exigindo que fossem tomadas as providências necessárias para que os mais de 5 mil reais reembolsados aos deputados fossem devolvidos aos cofres públicos.

A Câmara informou que apuraria o caso e que, se confirmadas as irregularidades, exigiria a devolução da grana. Até o momento não há resposta, mas já abri outra demanda lá.

No dia 1º de outubro a deputada Jô Morais, ao ser questionada pela OPS, devolveu imediatamente R$ 803 aos cofres públicos por ter utilizado a grana para bancar despesas que não estão previstas na relação de contas que podem ser pagas com o dinheiro da verba indenizatória.

zeDia 22 de outubro foi a vez de fazer o E-mailzaço para o deputado Zeca Cavalcanti. Assim como o Chapadinha, Zeca utilizou dinheiro da verba indenizatória para alugar superfaduradamente imóvel de parente dele de segundo grau.

Como ele preferiu o silêncio a explicar as irregularidades cometidas com dinheiro de todos nós, vinte dias depois eu formalizei denúncia contra ele no Ministério Público Federal.

No dia 10 de novembro, seguindo o exemplo da deputada Jô Morais, o deputado Eduardo Barbosa devolveu R$ 4.200 à Câmara logo após a OPS questionar uma despesa dele com serviços de consultoria.

Em 24 de novembro foram denunciados ao Ministério Público, os deputados André Abdon e Vinícius Gurgel por usar o dinheiro público em locações superfaturada de imóveis e até de aluguel de faz de conta.

Eu havia enviado os casos a um pessoal do programa Fantástico, da Rede Globo que acabou enviando-os para o Bom Dia Brasil, programa de jornalismo matinal da mesma emissora.

Esqueceram de dar os créditos à OPS, mas não fiquei chateado, pois o caso só pode ser concluído graças à equipe da Globo do Amapá que foi aos endereços dos imóveis e confirmou aquilo que eu já tinha certeza, mas não tinha como provar.

No dia 11 de dezembro, o último parlamentar do ano a sentir o peso da mão da OPS foi o deputado potiguar Beto Rosado.

denEle abasteceu veículos utilizados em seu escritório na cidade de Mossoró, no posto do tio. Por ser parente dele de até terceiro grau, o deputado não poderia ter abastecido lá. Diferentemente de alguns digníssimos representantes do povo, o Beto Rosado respondeu ao e-mailzaço dizendo que não sabia que o posto era do tio.

Como ele não se prontificou em devolver a grana, no dia 19 de dezembro ele também foi denunciado no MPF.

A OPS trabalhou muito neste ano. Foram muitas horas dedicadas ao desenvolvimento do site, da ferramentas em paralelo para ajudar nas fiscalizações e do aplicativo da OPS nas três plataformas mais utilizadas no país.

Quero aqui agradecer aos desenvolvedores Vanderlei Denir, Faister Cabrera, Danilo Mendonça, Fellipe Lamoglia, Gabriel Giannatassio, Matheus Maaz, Ismael (o idealizador do site) e Diego Aranha, que participou de várias reuniões e está incumbido de desenvolver a I.A. (Inteligência Artificial) do site OPS.

Agradeço também aos "auditores" da OPS que me pedem o anonimato e que fazem o trabalho da OPS acontecer, e também aos que não se importam em ter o nome divulgado. A esses, na pessoa do "Auditor-Mor" da OPS, Marcelo Carvalho, presto minha reverência.

Aos colaboradores e seguidores da OPS que utilizam um pouco do precioso tempo de cada um para ajudar na elucidação de casos, na divulgação do trabalho realizado pela operação, na participação dos E-mailzaços e das palavras de conforto, força e carinho que recebo diariamente.

Ao Canal do Otário e ao Pirula, o meu muito obrigado pelo apoio e companheirismo.

E por final, aos patrocinadores deste trabalho social de relevada importância que mensalmente doam um pouco do que têm para permitir a continuidade do trabalho.

A todos vocês e em nome da OPS, o meu muito obrigado.

Desejo também que 2017 seja o melhor de todos os anos já vividos por nós.

Escrito por Lúcio Big

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