Menos sal na mesa, Menos Liberdade na vida

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Uma vez ouvi/li uma frase que era mais ou menos assim:

“Quando o congresso está reunido, nossa liberdade e nossa propriedade estão sob ameaça”.
(não sei o autor, mas representa muito bem uma realidade nas terras tupiniquins).

Dias desses, os nobres políticos capixabas decidiram dar uma canetada com o intuito de salvar as pessoas delas mesmas, vão restringir nossa liberdade...ops, quer dizer, nosso acesso ao sal nas mesas de bares e restaurante de lá.

Não duvido que, em breve, isso vire uma mania nacional, afinal, precisamos eleger vilões para poder colocar a culpa da nossa incompetência.

A lei, não proíbe o sal, mas estabelece certa aporrinhação de acesso, ao retirar o saleiro da mesa, teremos de pedir o sal se acharmos que a comida não está ao nosso gosto, mas isso é um saco, pois até que o garçom traga o saleiro, a comida já esfriou. Sei bem o que é isso, na Argentina e no Uruguai, países que visito com frequência é assim, um porre!

A desculpa é basicamente a mesma, o “deus” estado, entende que nós não somos capazes de cuidar da nossa própria vida e toma a dianteira em decidir por nós o que devemos ou não comer, quanto sal devemos ingerir para nosso bem estar.

Existem vários exemplos nessa linha, como, por exemplo, restringir produtos em cantinas escolares (fritos e refrigerantes). -- Detalhe, produtos aprovados para consumo humano por esse mesmo estado.

Muita gente aplaude a atitude do estado, preocupado com nossa vida, preocupado com a obesidade, com a pressão alta, com a nossa saúde, não é lindo? NÃO MESMO!! E a nossa liberdade fica onde?

Sim, nossa liberdade, nossa plena liberdade de inclusive fazermos mal para nós mesmo fica onde? Não fica!

O problema não é o ato incentivar as pessoas a consumirem menos sal, evitarem frituras, refrigerante, cigarro, maconha, videogames, ou o que quer que seja, pois até ai tudo bem, o problema é quando o estado força todos a seguirem o que alguns acham bom, ou forçar alguns a seguirem o que muitos acham bom!

Nem vou entrar no mérito da eficiência dessas medidas, que são muito duvidosas, já que depois de proibirem coxinhas e refrigerantes nas escolas para combater a obesidade infantil, eu não vi diferença nenhuma nas circunferências dos estudantes, muito menos algum estudo provando a eficácia dessas medidas, é tudo puro achismo..

Com o sal, é curioso. No Uruguai, por exemplo, o povo adotou essa medida, e vejo nos restaurantes a galera comendo pouco sal, mas em compensação as porções de batata frita e a quantidade de maionese que despejam nos pratos é enorme, acho que é para compensar a ausência de sal.

Nas terras do Mujica, ao sentar em qualquer restaurante, a primeira coisa que peço é o sal, e os uruguaios me olham com ares de desaprovação quando adiciono sal na salada e na carne, mas eles enchem de maionese as batatas fritas... será mesmo que o sal é o vilão?

Extrapolando essa linha de ação estatal, de nos proteger de nos mesmos, podemos sugerir aos nossos políticos a proibição de fabricação, comercialização e utilização de carros e qualquer outro meio de transporte onde se atinja mais de 20 Km por hora, isso salvará dezenas de milhares de vidas e evitará centenas de milhares de mutilados (40.000 mortes e mais 170.000 feridos, mas oficialmente a realidade deve ser pior).

Ou que tal uma lei que obrigue todo mundo a correr 20Km por semana, isso ajudaria a diminuir a obesidade. Que tal proibir videogames (esses malvados incentivadores da preguiça)? Ou então computadores, internet, televisão... enfim, a lista é interminável.

As pessoas são livres, deveriam saber o que é bom e o que é ruim para elas mesmas, e ninguém deveria retirar esse direto de ninguém, a única exceção é quando o que uma pessoa faz prejudica a terceiros, nesse caso, sim, cabe intervenção e punição. De resto, cada um faz o que bem quiser da sua vida e ninguém deveria se importar com isso sem ser convidado.

Escrito por Zé Mané

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Fontes e links úteis

Fontes e links úteis

Restaurantes do ES são proibidos de deixar sal em mesas a partir de julho: Lei estadual foi sancionada e descumprimento vai gerar multa de R$1,3 mil. Medida quer evitar consumo excessivo, que pode prejudicar a saúde.
http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2015/05/restaurantes-do-es-sao-proibidos-de-deixar-sal-em-mesas-partir-de-julho.html

Assembleia de SP aprova projeto que proíbe fritura e refrigerante na merenda (2009).
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1088865-5605,00-ASSEMBLEIA+DE+SP+APROVA+PROJETO+QUE+PROIBE+FRITURA+E+REFRIGERANTE+NA+MEREND.html

Número de mortes no trânsito
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/11/1545760-numero-de-mortes-no-transito-tem-maior-queda-no-brasil-desde-1998.shtml

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As opiniões expressas pelos autores e leitores são de inteira responsabilidade dos mesmos e não refletem, necessariamente, a opinião do Canal do Otário.

Sobre Zé Mané

Olá, sou um cara normal, que tem um emprego normal, uma família normal, acorda cedo para ralar todo dia, paga um montão de contas e impostos e está, assim como muitos, pra lá de insatisfeito com os rumos do nosso (des)governo. Espero aqui poder compartilhar com vocês minhas idéias e pensamentos sobre economia, politica e interesses gerais desse país que ainda não é uma nação

3 comentários

  1. Concordo plenamente, o estado já me obriga a consumir cloro e fluor na água, iodo no sal, e ácido fólico nas farinhas (e se a pessoa tiver uma doença auto imune como fica?), enfim o estado vive querendo fuder com a nossa vida.

    Como o autor disse, sou a favor desse tipo de intervenção só quando prejudiquem a terceiros, por exemplo eu seria a favor da legalização das drogas, se houvesse um meio de garantir que o cara que usa não faria mal a ninguém por usar aquilo; O problema é que isso seria utopia.

  2. Me lembra a questão do trânsito. O estado está tão preocupado com meu bem estar, que está disposto a me multar caso eu coloque minha própria segurança em risco andando de carro sem cinto de segurança. Por outro lado no transporte público, eu não só posso andar sem cinto, até porque essa opção não existe, como eu posso ficar de pé. Curioso, não?

  3. Wilderness Epsilon

    Já tive uma rápida lida num livro de filosofia que falava de liberdade, mas nem é tão ruim um pouco da falta dela, como inibir a liberdade em extorquir, matar, roubar e explorar os demais, mas tudo em excesso faz mal, como nos forçar a ser heterossexuais (como se a população mundial tivesse quase acabando). Equiparando a liberdade, ela seria como o sal, na ausência a comida ficaria doce, mas demais ficaria salgada, daí qm fica responsável pela quantidade certa é o cozinheiro.

    Eu não acho ruim restringir esses alimentos, dificultando o acesso já reduz bastante os problemas de saúde da população. No Japão, cuspir no chão é passível a multa, e em poucos países é proibido a venda de chicletes.(Me lembrou o meu colégio que não vendia chicletes a anos e mesmo assim o chão de todo o lugar era repleto dessa sujeira)

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