Carnaval, La La Land e o comodismo do brasileiro

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O Brasil, do carnaval ou não, atravessa uma das maiores crises financeiras de sua história. A renda média das famílias brasileiras está em declínio, o desemprego e o subemprego saltam aos nossos olhos e o salário mínimo está cada vez mais “mínimo”.

Policiais militares recentemente cruzaram os braços no Espírito Santo devido aos baixos salários, professores de escolas públicas recebem menos que um auxiliar judiciário, além de mais uma carrada de problemas financeiros que nos fazem reféns, muitas vezes, das instituições financeiras, as únicas que jamais reclamam da crise.

O sistema de saúde é precário, chegando a ser inexistente em regiões do país aonde nem mesmo de carro se chega. Mesmo nos grandes centros há casos de pessoas que morrem nas portas de hospitais por falta de atendimento.

Alheio a tudo isso, ainda há quem reclame do pouco investimento público nos blocos de rua. Em Brasília, cidade onde o carnaval e o futebol ainda não assumiram posição de destaque na cena brasiliense, o presidente da Liga de Blocos Tradicionais, Jorge Cimas, reclama dos R$ 750 mil repassados pelo governo do DF aos sete blocos da liga, conforme entrevista ao Jornal de Brasília.

Segundo Cimas, a Secretaria de Cultura do DF é irresponsável, pois os milhares de reais do dinheiro público só podem ser utilizados em estruturas. Mas, o que ele queria? Em que ele gostaria de gastar toda essa grana? Em comida? Bebida? Fantasias e alegorias?

O carnaval é esperado por milhões de pessoas, inclusive por alguns milhares aqui em Brasília, e é uma festa importante, inclusive financeiramente falando, pois faz girar a economia local.

Contudo, o que existe é uma distorção entre o que é obrigação do governo e o que é dever do cidadão. Inúmeras são as iniciativas populares de suma importância para o país que não recebem um único centavo do dinheiro público e que são bancadas por cidadãos com doações espontâneas.

Há incontáveis clínicas de repouso, creches, asilos, centros de recuperação de dependentes químicos que sobrevivem basicamente da ajuda de pessoas físicas ou empresas privadas. Até mesmo iniciativas como a Operação Política Supervisionada (OPS), organização que já provocou economia nos gastos públicos superior a R$ 5,5 milhões apenas por fiscalizar e denunciar o uso irresponsável do dinheiro do contribuinte, não recebem um real sequer de entidades públicas. São cidadãos que reconhecem o importante trabalho, garantindo assim a sua existência.

Diante de tantas iniciativas extraordinárias e que pouco ou nada recebem do governo, por que os responsáveis por blocos e escolas de samba não promovem um trabalho de arrecadação financeira ao longo do ano para custearem suas despesas, inclusive com comida e bebida? Afinal, não faltaria quem quisesse ajudar, pois são milhões de brasileiros que adoram o carnaval. Isso, claro, sem falar nos comerciantes e empresários que faturam alto com a folia.

No Brasil e no exterior existem inúmeros sites que oferecem o serviço de financiamento coletivo, ou crowdfunding como é mundialmente conhecido. A lógica para que se arrecade dinheiro para a festa é muito simples: “Se eu quero carnaval, então devo pagar por ele”.

O brasileiro tem de parar de achar que o governo deve fazer tudo. Essa dependência do Estado nos torna um povo acomodado e reclamão.

Uma família com renda limitada prioriza o uso do dinheiro. Viagens, idas ao shopping ou restaurantes nos fins de semana somente podem ocorrer se realmente sobrar dinheiro depois de todas as despesas obrigatórias pagas. Não pode se dar ao luxo de substituir o arroz e feijão por uma sessão do filme La La Land.

Assista ao vídeo e veja que estamos pagando uma verdadeira fortuna para aposentados que ganham até R$ 33,7 mil por mês.

Escrito por Lúcio Big

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