Brasil, Uma Pátria (des)Educadora

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A Pátria (des)Educadora atira contra professores no Paraná, mas, em Brasília, os deputados faltosos terão de volta o valor descontado de seus salários.

Enquanto no Paraná, professores são agredidos com balas de borracha, spray de pimenta e cassetetes, no planalto central, o presidente da Câmara Federal, Sr. Eduardo Cunha, decidiu que seria melhor não honrar a palavra dada no início de seu mandato, como presidente da casa, e resolveu devolver os valores descontados dos salários dos deputados faltosos.

Teve deputado que viu seu salário de R$ 33 mil encolher R$ 6 mil por não ter comparecido em algumas votações.

No Congresso Nacional, de um modo geral, conseguir quórum para votar projetos não é uma tarefa nada fácil. É comum ver sessões que deveriam haver votação se transformarem em sessões de debates justamente por falta de quórum.

Porém, sem que levassem uma única bala de borracha no corpo ou spray de pimenta no rosto, os nobres deputados federais terão seus descontos revertidos em créditos em suas contas bancárias. Tudo isso porque os faltosos não gostaram do desconto.

Agora, as "Vossas Excelências”, por decisão do Ilmo. Presidente da Câmara Federal,  poderão faltar todas as sessões de votação que quiserem, com exceção da última do dia, e ainda assim receberão integralmente seus módicos salários.

Imagina se a moda pega?!

Imaginem se esta decisão também fosse tomada pelos professores da nossa Pátria (des)Educadora?! Ao invés de darem cinco aulas por turno, os professores entrariam nas salas de aula apenas no último horário, sem que sofressem qualquer tipo de punição.

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Imposto de Renda dos Servidores da Câmara dos Deputados chegam a quase R$7.500!

- Será que a sociedade aceitaria?

- Será que os alunos aprenderiam alguma coisa?

- Será que conseguiríamos formar médicos, engenheiros, físicos, advogados e juízes?

Na Pátria (des)Educadora, os mais valorizados são justamente aqueles que jamais moveram uma única palha para mudar verdadeiramente a situação lamentável do ensino brasileiro. E o mais engraçado disso tudo (pra não dizer revoltante) é que apenas o imposto retido pelo Imposto de Renda sobre os salários de muitos destes congressistas é maior do que o salário da maioria absoluta dos professores brasileiros.

Vitória!

Mas eu não poderia terminar este texto apenas com notícias ruins. Ainda que não represente uma cifra elevada, graças ao trabalho do Humilde Congressista, da OPS e do apoio importantíssimo do Canal do Otário, o deputado federal Benjamim Maranhão, citado neste vídeo por ter utilizado R$ 1.495,00 do dinheiro público para pagar o seu almoço, mesmo a contragosto, devolveu este valor ao erário público.

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Comunicado emitido pelo Departamento de Finanças da Câmara a respeito da devolução do dinheiro feita pelo Deputado Benjamim Maranhão

A Câmara Federal, ao ser questionada pela OPS por ter autorizado o ressarcimento desta fatura ao deputado, assumiu o erro e solicitou que o parlamentar devolvesse o dinheiro, conforme pode ser visto no comunicado ao lado, recebido por mim.

Entretanto, mesmo em se tratando de um "representante do povo" que usou indevidamente o dinheiro público, o deputado Benjamin Maranhão não se deu ao trabalho de dizer publicamente o motivo que o levou a solicitar o ressarcimento integral desta despesa, escancaradamente ilegal.

Saiba mais sobre este caso assistindo ao vídeo a seguir:

Escrito por Lúcio Big

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Sobre Lúcio Big

Lúcio Big, jornalista (MTE nº 0010764/DF), ativista no combate à corrupção e músico nas horas vagas.

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